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Amados irmãos e amadas irmãs, saúde e paz!
“Foi sepultado e ressuscitado” (I Cor 15,4)
Nossos corações experimentam, a cada Dia dos Finados, uma vez mais, aquele aperto que vem da saudade dos nossos que já partiram. Esta saudade, muitas vezes, dói muito. Não é só uma dor. É uma lembrança que reaviva lições inesquecíveis de gratidão e amor, renova sentimentos que a ausência dos que se foram não pode obscurecer. Pelo contrário, essa lembrança nos coloca a todos na mesma condição humana. Todos nós morreremos. Todos nós, cedo ou tarde, numa ou noutra circunstância, experimentaremos a morte que nos tira
deste mundo, ou leva a quem amamos muito.
A experiência da morte é próprio da nossa condição. Morrer, no entanto, não é tudo. Remetidos ao mais profundo dos nossos corações, fonte dos nossos sentimentos e dos valores que emolduram nossas mentes e escolhas, a realidade da morte nos permite aprender uma das mais importantes lições da nossa vida: a invisibilidade dos nossos entes que partiram não é ausência, mas sim uma lição fecundada pela saudade que não passa, pelo amor inesgotável e pela lembrança perene. Estão invisíveis, mas não estão ausentes. A lição mais importante, na meditação do mistério da morte e no confronto com esta realidade, que atemoriza e dói, está dada, como monumento de esperança no testemunho de Cristo Jesus, o Filho Amado de Deus Pai. “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ao terceiro dia, foi ressuscitado” (1Cor 15, 3-4).
A morte, para nós que cremos, embora dolorosa, é o desvelar da nossa vitória definitiva. Segundo o apóstolo Paulo, “Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou. Se os mortos não ressuscitam, estaríamos testemunhando contra Deus que ele ressuscitou Cristo enquanto, de fato, ele não o teria ressuscitado. E se Cristo não ressuscitou a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados. Se é só para esta vida que pusemos nossa esperança em Cristo, somos, dentre os homens, os mais dignos de compaixão” (1Cor 15, 13.15.17.19).
Amados e amadas de Deus, que a nossa saudade seja iluminada. Nossas lembranças e nossos passos sejam firmes, tendo a força da presença dos nossos que já partiram, com a certeza da vida definitiva em Deus, depois da morte, empenhando-nos e nos convencendo somente do bem, da justiça e do amor.
Belo Horizonte, 2 de novembro de 2010.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
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