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Carta Pastoral PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Qui, 18 de Março de 2010 22:20

Carta Pastoral

EXIGÊNCIAS DE NOVAS RESPOSTAS

O caminho missionário da Terceira Assembléia do Povo de Deus, na Arquidiocese de Belo Horizonte, é um processo de avaliação, exigindo a inteligência da reflexão e do discernimento, depois da etapa missionária de escutar para ver, agora ser capaz de escolher para celebrar uma nova Aliança. Este caminho missionário só pode ser fecundo para o coração dos discípulos que marcados pela espiritualidade de comunhão e pela humildade de avaliar, sobretudo de ser avaliado, para alcançar dinâmicas fecundas de conversão. Certamente, não percorre, de modo fecundo, o caminho proposto, quem não estiver habituado a deixar-se avaliar, ou quem não acolher dinâmicas e parâmetros de avaliação. É curioso o vício de quem só sabe avaliar os outros.

Este vício se torna até mesmo um veneno que mata a indispensável amorosidade para com a vida eclesial e para lustrar os sonhos, alargando os horizontes. Assim, o caminho missionário da III APD é de avaliação. Não é avaliação da I e da II APD. Estas assembléias já aconteceram. Deixaram um riquíssimo legado. O legado rico da II APD, pela inteligência de sua interpretação e pela iluminação da fé no seu acolhimento, produziu o Projeto Arquidiocesano de Evangelização - “Igreja Viva: Povo de Deus em Comunhão”. Este Projeto de Evangelização, assumido como fidelidade honesta à II APD, desde o dia 20 de novembro de 2004, está no horizonte da Arquidiocese de Belo Horizonte. Suas intuições, fruto da interpretação inteligente das três prioridades, com suas indicações, espiritualidade de comunhão, inserção social e renovação da comunidade, está posto como objeto do processo de avaliação no caminho missionário da III APD. Na verdade, a Igreja, seus membros e instâncias, diante do que foi proposto e assumido, como resposta fiel e esperada, penitencialmente, se submetem a uma avaliação.

Uma avaliação que não pode se resumir num simples constatar de alguns ou mesmo de grupos de especialistas. Uma avaliação que já mostrou o longo caminho que ainda precisa ser percorrido, quando se trata da prática e da cultura de escutar para ver. Uma avaliação que será fecunda quando cada um se colocar mais na posição de ser avaliado do que de avaliar os outros, mecanismo perigoso que permite encobrir as próprias fragilidades e limites. As perguntas e questionamentos postos precisam iluminar os avanços para consolidá-los, e explicitar engrenagens e funcionamentos para que se possa entender o desafio de ainda não se ter avançado o suficiente, e como abrir novos horizontes com as respostas novas num tempo em que as necessidades se dobram com muita rapidez.

Hora de avançar

Os passos dados no percurso evangelizador do Projeto Arquidiocesano de Evangelização revelam avanços e a grandeza da fidelidade à missão evangelizadora. Contudo, a realidade de instâncias e os funcionamentos revelaram ao longo deste quadriênio a complexidade de soluções para problemas intrincados e guardados sob o tapete, exigindo mais tempo, demandando mais investimento e, particularmente, precisando contar com discípulos e discípulas mais bem qualificados para a missão nas suas diferentes etapas e necessidades. O caminho missionário da III APD, já com inúmeras proposições para passos novos, comprova o despreparo para a resposta a desafios e as lacunas que estão fazendo mancar o processo de resposta missionária e evangelizadora pela atuação de muitos agentes e pela organização e funcionamento de muitas instâncias.

Na verdade, o aperfeiçoamento do Projeto Arquidiocesano de Evangelização - “Igreja Viva: Povo de Deus em Comunhão”, pelas proposições que estão sendo configuradas, frutos da participação lúcida e fiel do Povo nas comunidades, ainda não resolve o desafio básico e primordial de forjar uma nova cultura eclesial que precisa ser configurada. Esta nova cultura eclesial supõe a modificação de muitos procedimentos e entendimentos básicos acerca de papéis e missão de todos e de cada um dos membros do povo de Deus. Esta nova cultura eclesial, iluminada pelo Evangelho, no horizonte missionário do discipulado, precisa adquirir força para desmontar funcionamentos rançosos e obsoletos que vão atravancando os avanços e chafurdando os corações na desesperança. Uma nova cultura própria do discípulo missionário que não mede os processos simplesmente pelo sucesso próprio ou pela idealização de que a realidade, em todas as suas circunstâncias, seja uma mostra do paraíso.

É preciso avançar, abrir novas perspectivas, corrigir rumos, fazer ajustes, atentos ao dizer do Mestre quando envia os seus discípulos: “Vede, eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10,16).

Respostas esperadas no caminho missionário

A vitalização pastoral pretendida, prioridade que continua a incomodar pedindo novas respostas, supõe a coragem audaciosa de levar em conta a fidelidade a princípios, normas e compromissos que não podem ser tratados senão com o sentido honesto de compromisso pelo papel que se exerce e pela responsabilidade que se tem. Neste sentido, para além de simples preocupação legal e normativa, avançou muito a confecção de um Vademecum contendo normas, diretrizes, estatutos, regimentos e regulamentos que dizem respeito ao funcionamento justo e adequado das instituições e instâncias vinculadas à Arquidiocese de Belo Horizonte, mostrando a seriedade das ações e a gravidade das omissões.

Neste sentido tem avançado muito, com conquistas significativas e respostas que já tardavam, as definições das diretrizes e normas de funcionamento da Mitra Arquidiocesana para facilitar os funcionamentos da rede de paróquia e comunidades, em se considerando este importante serviço evangelizador. Uma outra resposta importante, retardada por circunstâncias que precisam ser sinceramente avaliadas, é a implantação e funcionamento da concepção da Secretaria Arquidiocesana do Dízimo, com seus setores de evangelização e comunicação, infra-estrutura e informatização, formação e articulação. Bem assim, é preciso fortalecer e ampliar o raio de ação e abrangência da Secretaria Arquidiocesana da Juventude, nova resposta para esta opção preferencial da Igreja, como também a qualidade e funcionalidade dos programas de evangelização, garantindo material de alto nível, editoração e distribuição adequadas. A nova cultura eclesial fecundará o novo caminho.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

01.11.2008