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Uma leitura para hoje de Mc 8, 1-10
Diego Adam.
Ainda hoje, existem esferas excludentes na sociedade, onde se valoriza o status, o poder e a riqueza como preeminência ou como atribuição de maiores direitos a benefícios, porquanto os que aí se incluem, consideram-se mais dignos que outros de participar até mesmo da bênção de Deus, por fazerem míseros favores à Igreja (ou à sociedade em si) ou por cumprirem meia dúzia de preceitos nem tão essenciais quanto pensam, por estarem mais atrelados à aparência que a uma inspiração ética autêntica.
Contudo, o Reino não tem essa lógica. Em Jesus, todos são colocados como iguais herdeiros do Reino. O importante é calcular a sociedade numa percepção de extrema gratuidade, diferente daquela superficialidade que nos acostumamos a ter por critério de juízo,
da mesquinhez que temos como medida de partilha e da ganância e egoísmo que motivam, muitas vezes, as nossas decisões. A fé alarga e multiplica as riquezas espirituais e temporais para que todos tenham sua parcela de participação no Banquete de modo que nada falte a ninguém.
O pensar-se superior é uma radical negação do Reino proposto e revelado por Jesus. Em nosso mundo contemporâneo percebemos ainda sinais que clamam aos céus por justiça. Nações ainda consideram-se maiores que outras e mais dignas de ter acesso às tecnologias, passando por cima de qualquer senso de preservação dos recursos naturais pertencentes a todos, ou mesmo, de uma noção mínima de humanidade e da dignidade com a qual o Senhor coroa o ser humano em geral. É esta a raiz de guerras que massacram populações inteiras – castigando sobretudo os inocentes – em vista de se obter o controle de algum recurso mineral escasso e valioso que esteja sob tutela de outrem ou mesmo de algum território. É aí também que notamos a origem da tecnocracia e de um modelo econômico que exclui e privilegia valores de morte como sendo os mais corretos. A partir daí, nunca se partilha e sempre falta pão a uma multidão que vai desfalecendo pelo caminho, porque a voz de Jesus que clama à compaixão não é mais ouvida, mas abafada pelos sons de tiros nas guerras em geral ou do idiotismo gritando nos corações humanos.
Também muitos discípulos não oferecem de seu pão. O egoísmo e o pensamento excludente, hedonista e narcisista hodiernos, muitas vezes multiplicados à escala de nações inteiras, conduzem a sociedade a uma constante insaciedade, fruto de um sistema de poder e exclusão, afastado do Reino. Negar a igualdade de dignidade é negar o Reino e afastá-lo da nossa realidade. Não são critérios humanos que determinam a ação de Deus, mas é a sua própria exousia, porque Deus é livre e conduz à liberdade perfeita. A autoridade de Jesus é o amor. Ele é perfeito modelo e não uma ideologia ultrapassada como outras tantas. A fonte da saciedade está em Jesus e não em ideologias alienantes e paralisantes e incentivadoras da corrupção e da podridão de práticas que impedem a realização plena do Reino, mas não sufocam o sonho de sua realização.
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