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O valor do Pentecostes
"Tendo-se completado o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam. Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiam e que pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se expressarem." (Atos dos Apóstolos 2, 1-4)
Pentecostes era, originalmente na Tradição judaica, uma festa que marcava os cinquenta dias (daí o nome) depois da Páscoa e era uma festa que relembrava a Aliança do Sinai, evento este que marca o pacto entre Deus e o povo, sinal da libertação e da vida nova que o Senhor oferecia à humanidade como mais uma prova de seu Amor. Este compromisso do povo em recordar sempre as maravilhas do Senhor deveria servir para que nunca se esquecessem de ser sinal da presença de Deus ante todos os povos da terra (2 Cr 15, 10-13). Desde então, era uma data importante
para celebrar a presença de Deus na história do povo; presença esta que deu-lhe a vitória e a liberdade para constituir uma sociedade baseada na fraternidade e na fidelidade à Aliança com o Senhor.
A Tradição Cristã que tem muito do judaísmo, assimilou esta compreensão, mas deu a ela uma nova leitura, pois, desde Jesus Cristo, a presença de Deus na história era algo bem mais concreto que uma lei escrita: a Palavra se tinha feito carne e assumido a humanidade para revelar plenamente a chegada do Reino. Assim, quando São Lucas escreve os Atos dos Apóstolos para complementar seu evangelho, quer contar o que acontece com os discípulos depois da Ascensão de Jesus. A Igreja está nascendo e se firmando e essa história precisa ser registrada para que não se perca. Portanto, no cristianismo, Pentecostes assume um novo valor: o de marcar o início da Missão da Igreja depois da Ressurreição. Afinal, um fato como este merece ser celebrado e divulgado entre os povos. Tudo o que Jesus fez e ensinou era tão maravilhoso que deveria ganhar o mundo para colocar esperança e amor no coração do maior número de pessoas possível!
Porém, eram tempos difíceis e a perseguição aos cristãos estava em pleno vapor. Era preciso uma inspiração que encorajasse o início dessa missão. Mas o passo mais importante já estava dado: os discípulos já tinham feito a experiência do encontro com o Ressuscitado e permaneceram reunidos por sua fé no Cristo. A inspiração que faltava vem com a descida do Espírito Santo sobre aqueles que devem levar adiante o anúncio do Reino.
O livro dos Atos é uma grande celebração da presença do Espírito Santo na comunidade cristã primitiva. Na ausência física de Jesus, o Espírito impulsiona a Missão de evangelizar para que ela não pare enquanto o Reino não estiver perfeitamente presente no mundo. E isso não pode esperar! O Espírito de Deus é uma força que impulsiona para a Vida e para o Amor e está presente desde o princípio de tudo, na Criação - obra do amor gratuito de Deus que transborda e preenche todo e qualquer vazio (Gn 1,1). O Espírito não permite que se apague a chama que queima no coração dos discípulos, ou seja, sua fé que os mantém unidos ao Ressuscitado (Lc 24, 32).
As chamas são a experiência da Ressurreição que o Espírito recorda no coração dos discípulos para que , a partir dali, a Boa-Nova pudesse ser levada a todos os povos, sem distinção. E esta mensagem deveria ser comunicada de modo que todos a entendessem e não restasse nenhuma dúvida de que o Senhor continuava presente na história e que o tempo para a implantação de seu Reino já era chegado e não era mais preciso esperar ou temer o tempo em que o Amor governaria o mundo e tomaria o lugar do ódio, da cobiça, da ignorância, da inveja, da guerra e da fome e de tudo o que separasse e desunisse a humanidade tão amada por Deus e que Cristo veio para unir no Amor (Jo 3,16).
Hoje o desafio permanece, pois ainda há quem tema o encontro com o Ressuscitado e não permita a realização de seu Reino. O testemunho deve vir do exemplo de vida dos cristãos, motivado pela ação do Espírito Santo que impulsiona e dá condições para a concretização da Aliança entre Deus e os homens para que o Amor seja a medida das relações humanas numa dimensão de liberdade e fraternidade verdadeiras e plenas em que a fé nos una ao Senhor que vive e reina!
fr. Diego Adam
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